Confissão à Queima-Roupa

Confissão à Queima-Roupa
Ela não era minha…
Como não me pertencia a força da objeção,
nem me cabia o freio da prudência puritana.
Eu a desejava.
Mais que isso: perseguir seu rastro,
Encontrei sua volúpia e ela se entregou a mim.
Sei que há certa perversidade no impulso,
mas o coração não calcula aviso — ele incita,
acelera o pulso e incendeia o sangue.
O corpo inteiro vira trânsito em chamas,
uma corrente elétrica que assalta os nervos
e dita a química cega da urgência.
Esse coração desmedido não conhece pudor,
não guarda temor,
não mede a cinza que sobra depois do fogo.
Ele toma de assalto os nossos olhos,
ocupa os lábios,
subverte pensamentos e sequestra os sentidos.
E cada milímetro de pele, em vigília,
suplicava pelo toque dela…
O aroma acendia a fome antiga,
enquanto a respiração, já trêmula e rendida,
entregava a boca antes mesmo do beijo.
  

Gratidão por chegar até aqui. Já  vi que você gosta de poemas profundas, então conheça também o meu poema Desejo em Tempo Rubato ou acompanhe nosso podcast Saber Ouvir no Spotify

@ 2026 Espaço Literal. Todos os direitos reservados
Por Nio Passinho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao Topo