Confissão à Queima-Roupa
Ela não era minha… Como não me pertencia a força da objeção, nem me cabia o freio da prudência puritana. Eu a desejava. Mais que isso: perseguir seu rastro, Encontrei sua volúpia e ela se entregou a mim. Sei que há certa perversidade no impulso, mas o coração não calcula aviso — ele incita, acelera o pulso e incendeia o sangue. O corpo inteiro vira trânsito em chamas, uma corrente elétrica que assalta os nervos e dita a química cega da urgência. Esse coração desmedido não conhece pudor, não guarda temor, não mede a cinza que sobra depois do fogo. Ele toma de assalto os nossos olhos, ocupa os lábios, subverte pensamentos e sequestra os sentidos. E cada milímetro de pele, em vigília, suplicava pelo toque dela… O aroma acendia a fome antiga, enquanto a respiração, já trêmula e rendida, entregava a boca antes mesmo do beijo.
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Por Nio Passinho
