O poeta e o sabiá

O poeta e o sabiá.
Existe um lugar,
Onde o poeta, ali se encantou…
Onde o vento fez dali o seu altar.
E os redemoinhos reverenciavam teu fulgor.
As brisas se enlaçaram em teus cachos;
Ante ti também se rendeu meu coração, 
Se entregou ao seu sorriso encantador; 
Ante ti, sagrado altar do amor. 
naquele lugar, nunca tinha ouvido cantar o sabiá.

Naquele lugar… 
Oposto ao brilho metálico do mar, 
E sob a luz inebriante da lua, 
Nas águas plácidas, nossa silhueta nua 
Compõe a paisagem e a canção do sabiá,
Onde amores distintos se encontram 
E se encantam sob o brilho de cada olhar.


Daquele lugar…
O clarão das luzes da cidade, 
a fúria dos carros nas pistas de rolagem 
e as pessoas que correm para viver… 
Dali de cima, tudo era fútil diante de você.
A magia do teu sorriso, 
a inocência dos teus beijos, 
o bailar de teus cabelos 
enquanto teus olhos fitavam os meus... 
Lá embaixo, o mundo era apenas ilusão; 
entre nós, nosso amor sem futuro… 
era eterno em meu coração.

Naquele lugar…
Nunca tinha ouvido cantar o sabiá, 
Nem sei por que o seu poeta habita lá;
Mas já vi casais-sabiás ali namorar,
E percebi que os sabiás que aqui se amam,
Não se amam como os de lá.
E os gorjeios que ouvi ali,
vieram dos lábios em sorrisos
da menina a me beijar…


Foi ali, naquele lugar…
O primeiro roço seu, ganhei;
O primeiro aroma seu, senti.
E foi então que as palmeiras, pela primeira vez, vi.
Compreendi, enfim, por que puseram o poeta ali: 
Pois os beijos que beijei aqui, 
Não são como os beijos beijados ali.
E as palmeiras que balançam aqui, 
Não têm a mística das palmeiras dali.


Naquele lugar…
onde eternos serão o poeta e o sabiá,
Outra canção de exílio não saberei cantar.
Não mais terei teus beijos… 
Nem aqui, nem naquele lugar.
Mas restará a poesia do poeta 
E o eco eterno da canção do sabiá.
  

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Por Nio Passinho

 

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